Em função da grande miscigenação de etnias, Bissau é o grande centro cosmopolita da Guiné-Bissau, onde florescem artes, música, gastronomia, arquitetura, dança e tradições de todos os povos do país. Também é o grande centro de atrativos de lazer da nação.

Cultura

Entre as manifestações culturais-religiosas destaca-se o festejo e a procissão da Imaculada Conceição em Bissau, além dos festejos de Nossa Senhora da Candelária, ambas as celebrações organizadas pela diocese de Bissau. Dada a população muçulmana bissauense, o ramadão de Bissau também é uma celebração importante, bem como o curioso "Natal Sincrético de Bissau", que reúne cristãos e muçulmanos. A mais popular festa da cidade é o carnaval de rua, realizado anualmente.

A cultura dos grupos etinicos de Bissau

Os balantas (palavra que significa literalmente "aqueles que resistem")são um grupo étnico nigero-congolês dividido entre a Guiné-Bissau, o Senegal e a Gâmbia.São o maior grupo étnico da Guiné-Bissau, representando mais de 25% da população total do país. No entanto, mantiveram-se sempre fora do estado colonial e pós-colonial, devido à sua organização social. Os balantas podem ser divididos em seis subgrupos: balantas bravos, balantas cunantes, balantas de dentro, balantas de fora, balantas manés e balantas nagas. Os arqueólogos crêem que o povo que viria a ser os balantas migrou para a atual Guiné-Bissau em grupos pequenos entre os séculos X e XIV d.C. Durante o século XIX, espalharam-se ao longo da área do mesmo país e do sul do Senegal, de forma a resistirem à expansão do reino de Gabu. A tradição oral entre os balantas diz que estes migraram para oeste desde a área onde são hoje o Egito, Sudão e Etiópia para escapar à seca e às guerras. Hoje, os balantas encontram-se principalmente nas regiões sul e centro da Guiné-Bissau. São maioritariamente agricultores e criadores de gado, principalmente porcos. Existe uma importante população balanta em Angola.

Cultura

Os balantas são o único grupo étnico da Guiné-Bissau sem um chefe ou um líder reconhecido. Todas as decisões importantes entre os balantas são tomadas por um conselho de sábios. Para se tornar um membro do conselho, o candidato terá de ser iniciado durante a cerimónia fanado. No geral, a igualdade prevalece entre os balantas. Consequentemente, os colonialistas portugueses tiveram dificuldades em governar este povo. Na viragem do século XIX para o XX, Portugal moveu campanhas de pacificação contra os resistentes balantas e sujeitou-os aos nomeados chefes fulas. Devido à repressão portuguesa, os balantas alistaram-se como soldados em grande número e foram apoiantes de primeira linha do PAIGC no desígnio nacionalista de libertação durante os anos 60 e 70 do século XX. Contudo, quando os nacionalistas assumiram o poder após a independência, depararam-se com a dificuldade em estabelecer comités de aldeia e outras organizações entre os balantas devido à sua organização social descentralizada. Muitos balantas ressentiram-se com a sua exclusão do governo. A sua proeminência no exército esteve na origem de várias tentativas de golpes de estado lideradas pelos mesmos nos anos 80.

Religião

Os balantas são largamente animistas na sua crença. Djon Cago é uma divindade deste povo. Na sociedade balanta, acredita-se que Deus está muito longe. Os fieis tentam alcançá-lo através de espíritos e sacrifícios. Apesar do cristianismo ser parcialmente aceito, o islamismo é forte e praticado juntamente com a veneração espiritualista.



Os manjacos (em manjaco: Manjaku) são um povo que habita as ilhas de Pecixe e Jata e as margens dos rios Cacheu e Geba, na Guiné-Bissau. O nome do povo significa "eu digo-te". A língua manjaca está classificada como parte das línguas Senegal-Guiné, que são uma subdivisão das línguas atlânticas. Existem grandes comunidades de manjacos no Senegal, França, Gâmbia,em Portugal e nos países envolventes da Guiné-Bissau.

Os mandingas(em mandinga: Mandinka) ou Malinke (também conhecidos como Maninka, Manding, Mandingo, Mandenka, Dioula, Bambara e Mandinko) são um Grupo étnico do Oeste africano com uma população global estimada em 45 milhões de pessoas. Os mandingas são descendentes do Império do Mali, o qual foi fundado no século XIII pelo Mansa Sundiata Queita. Migraram a Oeste pelo rio Níger em busca de melhores terras cultiváveis e oportunidades de conquista. São originários do Oeste africano no Mali, na Gâmbia, Guiné, Serra Leoa, Senegal, Burquina Fasso, Libéria, Guiné-Bissau, Niger, Mauritânia e Costa do Marfim. Apesar de dispersos, os Mandingas constituem o maior grupo étnico apenas em Mali, Guiné e Gâmbia.

Os papéis são uma etnia originária da Guiné-Bissau. Representam actualmente 7% do total da população guineense. O mais conhecido elemento pertencente a este grupo étnico foi o ex-presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira. Os membros deste grupo falam a língua papel.

Lazer

Bissau-Velho, o centro histórico da cidade, e o ilhéu do Rei, em imagem aérea de 1960. Bissau possui um imenso património histórico-arquitectónico, que faz dela uma das mais belas capitais do continente, principalmente no bairro/setor conhecido como Bissau-Velho, onde está localizado o Mercado de Bandim, o Edifício dos Correios, o Farolim da Catedral de Bissau, a Fortaleza d'Amura, contendo o mausoléu de Amílcar Cabral (líder nacionalista que ajudou a fundar o Partido Africano pela Independência da Guiné e Cabo Verde – PAIGC), o edifício do Instituto Nacional de Artes da Guiné-Bissau, edifício da Câmara de Comércio de Bissau (de autoria do arquitecto português Jorge Ferreira Chaves, actual sede do PAIGC) e das imponentes Sé-Catedral de Nossa Senhora da Candelária e Mesquita de Attadamun. Vários dos seus edifícios foram arruinados durante a guerra civil, incluindo o Palácio Presidencial e o Centro de Cultura Francesa da Guiné-Bissau. Há ainda locais de interesse para conhecimento histórico, como é o caso do Museu Etnográfico Nacional de Bissau e do Museu Militar da Luta de Libertação Nacional. Entre os locais importantes erguidos no pós-independência da capital há o monumento do Memorial Pidjiguiti, construído em homenagem aos pescadores, barqueiros e apeadores mortos na Greve das Docas de Bissau, em 3 de agosto de 1959; outros monumentos incluem o Palácio Colinas de Boé, a Ponte Amílcar Cabral, o Edifício do Banco Central dos Estados da África Ocidental, entre outros. Entre os atractivos naturais há várias praias, como a do Suro, e os ilhéus do Rei e de Bandim.


Desportos

A principal prática desportiva bissauense é o futebol, tanto que as principais equipas futebolísticas da nação estão sediadas na cidade, dentre elas a União Desportiva Internacional de Bissau, o Sporting Clube de Bissau, o Sport Clube dos Portos de Bissau, o Sport Bissau e Benfica e o FC Cuntum. Para a prática desportiva há o Complexo Desportivo Lino Correia e o Estádio Nacional 24 de Setembro. A equipa não possui nenhum jogador de renome internacional. Os mais conhecidos jogaram e jogam em equipas médias e de pequeno porte da ex-colónia Portugal, com destaque para Bebiano Gomes, mais conhecido por Bio, que representou o Benfica nas camadas de formação de 1980 a 1983 e jogou em equipas do primeiro plano do futebol português, tais como, o Sporting Clube Farense por empréstimo do Benfica (3 épocas- duas na Primeira Divisão e 1 na Segunda Divisão)- onde foi

Campeão Nacional da Segunda Divisão em 1986, Futebol Clube de Penafiel (4 épocas - duas na Primeira e duas na Segunda), Futebol Clube Tirsense (1 época- na Primeira Divisão), Beira Mar (1 época na Primeira Divisão), Academico de Viseu (1 época na Segunda Divisão), foi internacional pela Selecção da Guiné-Bissau. Sufrim Lopes, ex-jogador da Naval, mas que possui cidadania portuguesa. Bocundji Ca (com passagem pelo Nantes), Almami Moreira (ex-jogador de Boavista, Hamburgo, Dínamo de Moscovo e Partizan Belgrado) e Braíma Injai (que fez praticamente toda a carreira em Portugal) são outros jogadores conhecidos da Guiné-Bissau. Bruma, que joga atualmente no PSV Eindhoven, Éder, o herói da Final do Euro 2016 e Danilo Pereira, do FC Porto, apesar de serem guineenses de nascimento, optaram por defender a Seleção Portuguesa. Nunca participou da Copa do Mundo. Em 1998 a seleção foi banida por ter desistido das Eliminatórias da CAN de 1996 com as mesmas em andamento. A sua primeira (e até ao momento a única) participação na CAN foi na edição de 2017, ganha pela seleção dos Camarões. A equipa somou 1 empate e 2 derotas, ficando em último lugar no grupo A, onde estavam a Burquina Faso, os Camarões e o Gabão. Os seus resultados mais expressivos são na Copa Amílcar Cabral quando obteve o vice-campeonato da competição em 1983 e também obtendo por cinco vezes o quarto lugar em 1979, 1995, 2001, 2005 e 2007.